Os dois únicos grandes lagos existentes em Manaus, do Aleixo e Puraquequara, ambos na Zona Leste, estão praticamente secos. Em seus leitos, onde nessa época do ano já deveria haver água, restou o chão de barro rachado pelo calor. Um cenário típico de regiões áridas do Nordeste, mas que demonstra a força do período de seca que vive o Amazonas.
No lago do Aleixo, no bairro da Colônia Antônio Aleixo, restou apenas um estreito veio de água com, aproximadamente, 30 centímetros de profundidade. Uma média de 30 flutuantes está em terra firme e os barcos, catraias e voadeiras se encontram parados devido a dificuldade para se chegar até a boca do lago, no encontro com o rio Amazonas.
“Daqui até a boca dá mais ou menos um quilômetro. Não tem condições de sair”, disse o pescador Jucelino Barreto, 52. Segundo ele, sua última tentativa de pesca foi na noite da última segunda-feira e sem um bom resultado. “Só peguei dois dourados. Em época de cheia pego 200 a 300 kg”, comparou ele.
A seca também mudou o cenário no lago do Puraquequara. Atualmente, é possível andar de carro sobre o leito seco. Por causa da vazante, até o porto do local teve que mudar de lugar. Agora ele está a, aproximadamente, 1,5 quilômetro da vila. “Trouxemos os flutuantes e pontões para esse lugar porque é onde os barcos e voadeiras ainda conseguem entrar”, contou o pescador Oteníssio Ricardo Lima, 62.
Segundo ele, apesar do período prolongado de vazante, nos próximos 15 dias a água deve começar a subir. “Sou caboclo nascido e criado nesse Amazonas. Todos os anos o rio começa a subir no dia 4 de novembro, só este ano que não. Mas a água já está subindo em Borba e em Coari e, nos próximos 15 dias, aqui também sobe”, previu ele com base em seu conhecimento tradicional.
Em Tabatinga, único município da bacia do rio Solimões onde a Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH) faz a medição do nível do rio, a cota de ontem era de 6,28m. O Solimões parou de secar no dia 24 de setembro e, até ontem, havia subido quase quatro metros.
Na medição feita ontem em Manaus pela SNPH, o nível do rio Negro havia descido mais cinco centímetros em relação à segunda-feira. Ontem, o Negro estava a 15,94m. Em relação ao menor nível já registrado, o de 13,64m em 30 de outubro de 1963, o Negro ainda está 2,30m acima dessa marca.
Ontem também completaram exatos cinco meses da cota histórica de cheia registrada no rio Negro. Em 1º de julho, o nível máximo foi de 29,77m.
Reportagem de Márcio Azevedo publicada no Jornal A Crítica em 02/12/2009